Menina Yanomami de 1 ano com desnutrição morre por verminose durante remoção aérea para Boa Vista
15/03/2026
(Foto: Reprodução) Comunidade indígena na Terra Yanomami.
Bruno Mancinelle/Casa de Governo
Uma criança Yanomami de 1 ano e 11 meses morreu na tarde deste sábado (14) durante um voo de remoção para Boa Vista. A menina, da comunidade Xitei, na Terra Indígena Yanomami, pesava 6,1 kg e apresentava quadro grave de desnutrição, malária e verminose.
O g1 teve acesso ao atestado de óbito criança, que aponta que ela morreu por volta das 17h30, quando a aeronave já se aproximava da capital.
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Ela teve insuficiência respiratória, associada à síndrome de Loeffler — uma reação pulmonar causada por parasitas — e ascaridíase, doença provocada por parasitas intestinais.
No pedido de transporte aéreo para Boa Vista, os profissionais de saúde também registraram que a criança apresentava desnutrição grave, além de sinais de desidratação.
O g1 procurou a Casa de Governo, órgão interministerial criado para acompanhar a crise sanitária Yanomami, e afirmou que o Distrito de Saúde Indígena Yanomami (Dsei-Y) e o Ministério da Saúde acompanham o caso.
A reportagem também procurou o Ministério da Saúde, que é responsável pelo Dsei-Y, mas não foi respondida até a última atualização.
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Segundo relato do presidente da Urihi, Waihiri Hekurari Yanomami, a criança foi retirada da comunidade Xitei na quinta-feira (12) e levada para o Polo Base de Surucucu, onde há um hospital, e permaneceu por dois dias em observação.
De acordo com ele, a equipe médica solicitou uma nova remoção para Boa Vista ao perceber a gravidade do quadro.
“A criança estava muito doente, com malária, desnutrição, desidratação e vomitando. Foi solicitado o voo para levar para Boa Vista”, disse.
Ainda segundo o líder indígena, o pedido para a aeronave foi feito por volta das 10h29 de sábado, mas o resgate só ocorreu cerca de seis horas depois, por volta das 16h20.
Durante o voo para Boa Vista, a criança não resistiu e morreu. O corpo foi levado de volta para a comunidade neste domingo (15).
Hekurari afirmou que a morte preocupa as comunidades da região e disse que outras crianças já morreram recentemente em situações semelhantes.
“Não era para estar morrendo mais nenhuma criança Yanomami por doenças simples, como vermes, diarreia ou malária. O governo mandou muitos recursos para proteger o povo Yanomami, mas esses recursos não estão chegando dentro da terra indígena”, afirmou.
Terra Yanomami
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Localizada no Amazonas e em Roraima, a Terra Indígena Yanomami tem quase 10 milhões de hectares. No território vivem mais de 31 mil indígenas, distribuídos em 370 comunidades.
O povo Yanomami se divide em seis subgrupos linguísticos da mesma família: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma.
O território está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, após a posse do presidente Lula (PT), iniciou ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e de cestas básicas, além do reforço das forças de segurança na região para frear o garimpo ilegal.
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